Porto Rico
Lenda do Acervo

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A História

Quando a gente ouve a história de Gelso Santos — o nosso querido Porto Rico —, percebe que a vida dele daria um daqueles modões de raiz que emocionam a gente do começo ao fim. Nascido em 1960 lá em Nova Londrina, no Paraná, ele construiu uma trajetória daquelas marcadas por muita luta, suor, amor à família e uma paixão irrecusável pela música sertaneja.

A vida começou com desafios bravos. Criado exclusivamente pela mãe — que virou o grande porto seguro da casa e a quem ele nunca conheceu o pai —, Gelso aprendeu desde cedo com os irmãos (duas irmãs e um irmão) o valor da humildade, da união e da perseverança. Aos dezoito anos, com a coragem no peito e o desejo de dar uma vida melhor para a mãe, arrumou a trouxa e mudou-se para São Paulo.

O começo não foi fácil, mas o homem é bruto na lida. Começou como ajudante de mecânico, aprendeu o ofício com garra e, com o tempo, realizou o sonho de abrir a própria oficina. Depois, ainda correu trecho pelas estradas do Brasil guiando seu próprio caminhão. Mas, por mais pesada que fosse a rotina na boleia ou na graxa, a viola e o som de raiz nunca saíram do coração dele.

A música, aliás, corre forte nas veias do Porto Rico. Ele deu o pontapé artístico formando a dupla Oceano & Porto Rico, gravando muita coisa boa. Depois, ainda dividiu o palco com o cantor Paulete — que vinha lá do trio Os Gladiadores, famoso por ter sido o primeiro a gravar o clássico imortal "Fuscão Preto". Como compositor, também deixou sua marca em belas obras, como "Amor e Magia", feita em parceria com o lendário João Miranda, o "Caneta de Ouro".

E o talento do homem levou ele longe nos palcos e na telinha! Quem tem boa memória se lembra de vê-lo brilhando no clássico Viola, Minha Viola, da TV Cultura, ao lado da inesquecível Inezita Barroso. Mas o ponto alto da ousadia foi lá no programa Viva a Noite, no SBT, apresentado por Luís Ricardo. No quadro "Quem Fica Mais Tempo Cantando", ele soltou a voz em "Galopeira", levou o primeiro lugar e ainda bateu o recorde da competição! É para aplaudir de pé.

Além do artista de talento, o coração do Porto Rico é de ouro. Na época mais difícil da pandemia, ele mostrou seu lado solidário fazendo duas lives beneficentes que arrecadaram mais de cinco toneladas de alimentos para a APE de Suzano, ajudando quem mais precisava naquele momento. É a prova viva de que a arte dele caminha lado a lado com a generosidade.

Hoje, morando em Suzano, casado, pai de quatro filhos e avô coruja de cinco netos, Gelso segue firme na estrada. Em carreira solo e com seu som espalhado nas principais plataformas digitais, como o YouTube e o Spotify, ele continua levando alegria e a verdadeira essência do sertanejo raiz por onde passa.

A história do Porto Rico é daquelas que dão orgulho de contar: da oficina mecânica às estradas do Brasil, e das estradas para o topo dos palcos. É a vida de um homem de verdade, que construiu seu destino com fé, trabalho e um amor inabalável pela nossa cultura caipira.

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Ajeitando a viola...

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