Liu e Leu
Lenda do Acervo

Liu e Leu

A História

Liu & Léu foi uma das duplas mais importantes da música caipira brasileira, formada pelos irmãos Lincoln Paulino da Costa, o Liu (Itajobi-SP, 7 de agosto de 1934 – Ibiraci-MG, 4 de agosto de 2012), e Walter Paulino da Costa, o Léu (Itajobi-SP, 2 de abril de 1937 – São Paulo-SP, 16 de maio de 2019). Vindos de uma família de cantadores, eles ajudaram a preservar o estilo tradicional da moda de viola e ficaram conhecidos como grandes representantes do sertanejo raiz.

Nascidos em uma família de nove irmãos, Liu e Léu cresceram no meio rural, trabalhando na lavoura de café e cereais. Desde pequenos tiveram contato com a cultura caipira, especialmente com a catira, dança típica acompanhada de viola, palmas e sapateados. A família Costa era muito ligada à música, e eles conviviam com outros grandes nomes do sertanejo, como Zico & Zeca e Vieira & Vieirinha, que também eram parentes.

Antes de formarem a dupla, cada irmão já trilhava seu caminho musical. Walter, ainda adolescente, participava de programas de rádio e chegou a formar uma dupla chamada Sampaio & Nenê Cunha. Lincoln era conhecido pelo talento para declamar poesias, fazer humor e interpretar músicas românticas. O destino dos dois mudou quando foram para São Paulo tentar uma oportunidade na música.

Em 1957, enquanto aguardavam o início de um trabalho em uma metalúrgica, os irmãos foram assistir a uma apresentação do programa Brasil Caboclo, da Rádio Bandeirantes. Ao descobrirem que eles eram irmãos de Zico & Zeca e parentes de Vieira & Vieirinha, os produtores pediram que cantassem uma música. Com instrumentos emprestados, interpretaram “Meu Ranchinho”, de Dino Franco e Sebastião Victor, encantando o público. Pouco depois, estreavam oficialmente como Liu & Léu, nome criado a partir dos apelidos dos irmãos.

A dupla rapidamente conquistou espaço no rádio e nos circos do interior paulista e de outros estados. Em 1959, foram convidados por Teddy Vieira para gravar pela gravadora Chantecler o primeiro disco de 78 rotações. Entre as primeiras gravações estavam “Rei do Café” e “Carreiras de Cururu”. No mesmo ano lançaram aquela que se tornaria uma das marcas da carreira: “Boiadeiro Errante”, também de Teddy Vieira.

Durante décadas, Liu & Léu passaram por importantes emissoras de rádio, como Rádio Nacional de São Paulo e Rádio Record, participando de programas que marcaram a história do sertanejo. Também estiveram presentes na estreia do tradicional programa Viola, Minha Viola, da TV Cultura, ajudando a levar a música caipira para novas gerações.

A dupla acumulou uma extensa discografia, com mais de 30 LPs e diversos CDs. Entre seus maiores sucessos estão “Boiadeiro Errante”, “Rei do Café”, “Jeitão de Caboclo”, “Meu Ranchinho”, “O Ipê e o Prisioneiro”, “Sementinha”, “Adeus Minha Terra” e “Prato do Dia”. Suas músicas retratavam a vida simples do campo, a saudade da terra natal, os tropeiros, os boiadeiros e os valores do homem do interior.

Em 2002, o álbum “Jeitão de Caboclo” recebeu indicação ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Regional, mostrando que a música caipira tradicional continuava conquistando admiradores dentro e fora do Brasil. Em 2005, participaram do DVD 100% Caipira, reforçando a importância da dupla na preservação da viola brasileira.

Em 2012, Liu faleceu aos 77 anos, vítima de uma parada pulmonar. Após a perda do irmão, Léu continuou mantendo viva a história da dupla, chegando a cantar com seu irmão Zeca, da dupla Zico & Zeca. Léu faleceu em 2019, aos 82 anos.

Liu & Léu deixaram como legado uma das obras mais autênticas da música sertaneja raiz. Suas vozes, suas violas e suas histórias ajudaram a eternizar um Brasil de fazenda, estrada de terra, boiada e viola no peito — um verdadeiro retrato da alma caipira.

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