Belmonte e Amarai
Lenda do Acervo

Belmonte e Amarai

A História

Belmonte & Amaraí foi uma das duplas mais importantes da história da música sertaneja brasileira, responsável por eternizar canções que se tornaram verdadeiros símbolos do gênero. Formada por **Paschoal Zanetti Todorelli, o Belmonte**, e **Domingos Sabino da Cunha, o Amaraí**, a dupla marcou a década de 1960 com um estilo romântico e melodias que conquistaram milhões de admiradores em todo o país.

Antes de formarem a famosa parceria, os dois já possuíam experiência no meio sertanejo. Belmonte havia cantado ao lado de Belmiro e também de Tibagi, enquanto Amaraí teve como parceiros Amoroso e posteriormente Tibagi. Os caminhos dos dois se cruzaram em 1964, no tradicional **Café dos Artistas**, localizado no Largo do Paissandu, em São Paulo, ponto de encontro de músicos e cantores que buscavam espaço no cenário sertanejo.

Após o encontro, Belmonte & Amaraí começaram a se apresentar em churrascarias, circos e praças de cidades do interior. Em 1966, lançaram o primeiro LP, **"Saudades da Minha Terra"**, pela gravadora RCA Victor, a convite do diretor artístico Nenete, da dupla Nenete & Dorinho. O álbum alcançou um sucesso extraordinário, chegando à marca de cerca de 1 milhão de cópias vendidas, algo impressionante para a época.

A música **"Saudade de Minha Terra"**, composta por Belmonte e Goiá, tornou-se o maior símbolo da dupla e uma das canções mais importantes da música sertaneja brasileira. Considerada praticamente um hino do gênero, foi regravada por grandes artistas como Chitãozinho & Xororó, Milionário & José Rico, Sérgio Reis e Michel Teló, atravessando gerações e mantendo viva a essência da música caipira.

Em apenas oito anos de carreira, Belmonte & Amaraí gravaram seis LPs e venderam mais de 2 milhões de discos. O repertório da dupla também inclui grandes sucessos como **"Mercedita"**, **"Pombinha Mensageira"**, **"A Fronha"**, **"Desde Que Te Vi"**, **"Morrendo de Amor"**, **"Lágrimas da Alma"**, **"Desventura"**, **"Te Amarei Toda Vida"** e **"Saudade de Goiás"**.

A trajetória da dupla foi interrompida de forma precoce em 9 de setembro de 1972, quando Belmonte faleceu aos 34 anos em um acidente de carro após uma apresentação em Itápolis (SP). Amaraí seguiu carreira solo e, anos depois, formou uma nova dupla com seu filho Francis Douglas da Cunha, mantendo viva a tradição do nome Belmonte & Amaraí. Amaraí faleceu em 21 de julho de 2018, aos 77 anos, vítima de um infarto, deixando um legado de grande importância para a música sertaneja brasileira. Em 2022, sua cidade natal, Barra Bonita (SP), homenageou Belmonte com uma estátua de bronze em tamanho natural, eternizando a memória de um dos grandes nomes do sertanejo raiz.

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