Carlos Cezar e Cristiano
Lenda do Acervo

Carlos Cezar e Cristiano

A História

Meu amigo, se a gente for falar das joias da nossa música caipira, tem uma dupla que não pode faltar nessa roda: Carlos Cezar e Cristiano. Eles surgiram ali no finalzinho da década de 1970 e logo caíram nas graças do povo. E não era para menos, né? Com um visual todo inovador para a época e cantando um sertanejo de raiz de primeira linha, esses paulistas ganharam apelidos carinhosos que a gente não esquece jamais: "Os Cowboys Andarilhos" e "A Nova Maravilha Sertaneja".

A história deles tem aquele começo com o qual a gente tanto se identifica, sabe? Bem no clima de quintal de casa. Antes de alcançarem os grandes palcos, a dupla começou a soltar a voz de um jeito bem informal. Era em reuniões de amigos, naquelas rodas de cantoria gostosas, que eles foram afinando a parceria. Ali, a harmonia vocal única dos dois já mostrava que o destino deles era cantar juntos.

Mas a consagração mesmo, aquela que fez o Brasil inteiro parar para ouvir, chegou no comecinho dos anos 1980. Mais precisamente no ano de 1981, os dois pisaram no palco do festival da RecordTV e não deu outra: conquistaram o merecido primeiro lugar. A música que levou os rapazes ao topo foi a inesquecível "O Vai e Vem do Carreiro", daquelas que até hoje arrepiam quando tocam na rádio.

E pensa num talento que ia muito além da garganta! Carlos Cezar não era só uma voz afinada, ele era um compositor de mão cheia, daqueles bastante prolíficos, que sabem traduzir o sentimento da nossa gente no papel. A caneta dele era tão inspirada que ele chegou a trabalhar lado a lado com ninguém menos que o lendário José Fortuna. Uma verdadeira parceria de gigantes.

O repertório que eles construíram embalou muita viagem de caminhão e muita saudade por esse Brasil afora. Foi sucesso atrás de sucesso. Além daquela canção campeã do festival, eles nos deixaram de herança clássicos que a gente sabe de cor, como "Moça Caminhoneira", "Berrante de Ouro", "Filho do Caminhoneiro" e "Pro Que Der e Vier".

Durante essa bonita caminhada, o duo gravou mais de dez discos. Era muito suor e dedicação à nossa cultura. Eles, inclusive, já estavam a todo vapor, no meio da produção de um CD especial para comemorar os 20 anos de estrada. Um projeto que tinha tudo para ser lindo. Mas a vida, às vezes, muda o tom da moda de viola de um jeito que a gente não espera.

Infelizmente, no ano de 2002, a trajetória dos nossos Cowboys Andarilhos chegou ao fim de forma definitiva. Os trabalhos foram interrompidos em decorrência do triste falecimento de Carlos Cezar. Uma partida que calou uma das metades dessa harmonia perfeita, mas que deixou uma saudade imensa e o nome de Carlos Cezar e Cristiano cravado para sempre no coração da música de raiz.

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Ajeitando a viola...

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