Ze Carreiro e Carreirinho
Lenda do Acervo

Ze Carreiro e Carreirinho

A História

Se a gente for prosear sobre os verdadeiros alicerces da nossa música caipira, é obrigatório tirar o chapéu e reverenciar a história de Zé Carreiro e Carreirinho. Formada ali no finalzinho da década de 1940, essa dupla não apenas cantou, mas praticamente ensinou o Brasil a fazer e a sentir a verdadeira moda de viola. A influência deles foi tão bruta no nosso cancioneiro que serviu de escola e referência direta para os gigantes que vieram logo depois. Gente do calibre de Tião Carreiro e Pardinho, por exemplo, bebeu dessa fonte cristalina.

Por trás dessa marca lendária, estavam dois homens simples e de um talento sem igual. De um lado, Lúcio Rodrigues de Souza, que o nosso interior logo abraçou como Zé Carreiro. Do outro, o companheiro Adauto Ezequiel, o nosso eterno Carreirinho. Juntos, eles afinaram as vozes e encontraram um jeito único de cantar que mudou para sempre os rumos da música de raiz.

O marco zero dessa verdadeira revolução fonográfica aconteceu em julho de 1950, quando a dupla entrou nos estúdios da gravadora Continental. E olha, eles não começaram devagar, não. Logo no primeiro bolachão de 78 rotações, entregaram dois estrondos de sucesso: o cururu "Canoeiro" e a clássica, arrepiante e inesquecível moda de viola "Ferreirinha". Foi ali que carimbaram a sua marca registrada, misturando uma interpretação de altíssima qualidade com letras que pareciam filmes narrados em forma de canção.

A estrada seguia poeirenta e vitoriosa, embalando os corações Brasil afora. Só que o destino, às vezes, impõe umas provações duras demais. No ano de 1958, a parceria original precisou ser interrompida. Zé Carreiro começou a enfrentar sérios problemas de saúde ligados à surdez e, com muita dor no peito, teve que se afastar dos palcos. Foi uma despedida precoce, que calou uma das vozes mais potentes da época.

Mas a música pulsava forte demais no sangue de Carreirinho para ele simplesmente pendurar a viola. Logo após essa triste separação, ainda naquele ano de 1958, ele montou uma dupla temporária com um jovem violeiro chamado José Dias Nunes. Talvez você o conheça pelo nome de Tião Carreiro! Pois é, antes de seguir sua jornada consagrada ao lado de Pardinho, Tião gravou canções memoráveis ao lado de Carreirinho. Um encontro histórico para tapar a ferida da saudade.

E a gente não pode terminar essa prosa sem falar do peso da caneta do Carreirinho. Além de um intérprete espetacular, ele se destacou como um dos maiores compositores que esse chão já viu. Ao longo de sua vida, foram cerca de 1.600 músicas escritas e gravadas. Pensa num legado! Mil e seiscentas histórias que ganharam vida na garganta dele e de inúmeros outros grandes intérpretes da nossa cultura.

Para manter viva a chama da tradição, Carreirinho continuou carregando a bandeira nas décadas seguintes, montando novas formações para o projeto "Carreiro e Carreirinho" com outros parceiros de talento. Ele seguiu firme na sua jornada até março de 2009, quando descansou aos 87 anos de idade. Os dois partiram, mas a obra monumental que construíram está eternizada aqui no nosso acervo, garantindo que o toque de Zé Carreiro e Carreirinho nunca pare de ecoar.

As melhores de Ze Carreiro e Carreirinho

Ajeitando a viola...

Sua Fila (0)

Moda adicionada à fila!