Suzamar
Lenda do Acervo

Suzamar

A História

Sabe aquela voz feminina que rasgava os alto-falantes das rádios nas décadas de 70 e 80 e arrepiava até a alma? Pois é, falar de música sertaneja de raiz e não lembrar da gigante Suzamar é quase um pecado. Amélia Machado de Souza, que depois o Brasil inteiro abraçou com o nome artístico de Suzamar, foi uma daquelas estrelas que abriram caminho no peito e na raça. E vamos falar a verdade... quem é que nunca segurou o fôlego ouvindo ela soltar a voz naquela versão consagrada e inesquecível de "Galopeira"? É de arrepiar só de lembrar.

A história dessa paulista guerreira começou lá no interior, na cidade de Pirajuí. Ela nasceu num dia 10 de junho, lá em 1945, numa época em que as coisas eram difíceis, mas a música já curava muita dor. A menina Amélia tinha a melodia nas veias. Imagina só, com apenas 11 aninhos de idade ela já abraçava o violão e tirava suas primeiras notas. Não demorou muito para o talento transbordar. Junto com a irmã, a Suzi, ela formou a dupla Irmãs Souza. Pensa num tempo bom. As duas meninas cantando com a alma em picadeiros de circos e nos microfones das rádios locais, conquistando o povo ali, na simplicidade, no olho no olho.

Mas a vida tem seus próprios roteiros, né? A dupla com a irmã chegou ao fim, mas o sonho não parou por ali. Foi aí que nasceu de vez a Suzamar que a gente tanto admira. Em carreira solo, ela não só brilhou, como dominou os palcos de TV e as paradas das emissoras de rádio da época. A mulher tinha uma força na voz que impressionava. Era uma interpretação tão firme, tão autêntica, que ela transitava com uma facilidade imensa entre os grandes clássicos da música caipira e aquelas canções românticas que doem no fundo do peito. Um talento puro. Sem filtro e sem invenção.

E o repertório dessa lenda? Rapaz, é uma verdadeira viagem no tempo, daquelas boas de se ouvir numa tarde de sábado. Além da eterna "Galopeira", que virou a sua grande marca registrada, Suzamar colecionou sucessos que o povo cantava junto com fervor. Quem não se lembra de "Amor Com Amor Se Paga" ou daquela paixão doída cantada em "Surra De Amor"? Tinha também "Pago Dobrado", a inconfundível "Camisa Perfumada" e a intensa "Maldito Amor". Isso sem contar a belíssima "Não Amo Ninguém", que ela gravou numa parceria de ouro com a dupla Canário e Passarinho. Eram modões que embalavam as noites e curavam os corações dos apaixonados pelo Brasil afora.

Nossa querida Suzamar nos deixou em julho de 2018, aos 73 anos de idade. Foi uma despedida sentida, daquelas que deixam um vazio enorme na nossa cultura. Mas o que ela construiu não se apaga nunca. Ela deixou um legado histórico maravilhoso, abrindo portas e provando a força e a representatividade da mulher na nossa amada música caipira tradicional. A voz forte lá de Pirajuí pode até ter descansado, mas a obra da Suzamar continua viva, tocando nos nossos corações e preservando a verdadeira essência do sertanejo raiz.

As melhores de Suzamar

Ajeitando a viola...

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