Cacique e Paje
Lenda do Acervo

Cacique e Paje

A História

Cacique & Pajé é uma das duplas mais singulares e tradicionais da música sertaneja de raiz brasileira. Formada originalmente por **Antônio Borges de Alvarenga, o Cacique**, e **Roque Pereira Paiva, o Pajé**, ambos nascidos em Rondonópolis (MT), a dupla ficou conhecida por valorizar a cultura indígena, a viola caipira e as tradições do homem do campo. Com um estilo autêntico e marcado por histórias da vida rural, conquistaram admiradores em todo o Brasil.

A história dos dois artistas é cercada por uma trajetória única. Filhos de agricultores e nascidos em uma tribo às margens do Rio Vermelho, os dois foram separados ainda pequenos após uma epidemia de febre amarela na região. Acabaram sendo entregues a boiadeiros que passavam pelo local e posteriormente adotados por famílias diferentes. Apesar de não serem irmãos de sangue, pertenciam à mesma origem indígena e carregavam uma forte ligação com suas raízes.

Antes de formar a famosa dupla Cacique & Pajé, Antônio Borges e Roque Pereira passaram por diferentes nomes artísticos e parcerias. Antônio chegou a atuar como Peixoto, Rei do Gado e Ferreirinho, enquanto Roque também participou de outros projetos musicais. A parceria definitiva nasceu em 1978, quando adotaram os nomes Cacique e Pajé e lançaram um LP pela gravadora Chantecler, com destaque para a música **"Pescador e Catireiro"**. O nome da dupla foi sugerido por ninguém menos que **Tonico & Tinoco**, após se encantarem com o trabalho dos dois.

Durante as décadas seguintes, Cacique & Pajé lançaram grandes sucessos da música caipira, como **"O Milagre do Batismo"**, **"Cidade Moderna"**, **"Caçando e Pescando"**, **"Deixa o Índio em Paz"**, **"Poema das Cordas"**, **"Cadê o Gato"** e **"As Flores e os Animais"**. A dupla também participou de importantes projetos musicais, incluindo uma gravação ao lado de Taiguara no álbum **"Canções de Amor e Liberdade"**, em 1983.

A trajetória da dupla enfrentou grandes desafios quando Pajé sofreu um derrame em 1985, que o afastou parcialmente dos palcos. Durante anos, Cacique contou com a ajuda de outros músicos para manter as apresentações, enquanto vários artistas assumiram temporariamente o papel de Pajé. Em 1994, Roque Pereira Paiva faleceu após enfrentar sérios problemas de saúde, deixando uma grande lacuna na música sertaneja.

Após a perda do parceiro, Cacique encontrou forças para continuar o legado da dupla. Em 1997, passou a cantar ao lado de **Geraldo Aparecido da Silva**, conhecido como o novo Pajé, dando continuidade ao nome Cacique & Pajé. A nova formação conquistou o público e gravou diversos CDs, mantendo viva a essência da moda de viola e da cultura caipira.

Com uma história marcada por superação, tradição e respeito às raízes brasileiras, Cacique & Pajé permanece como uma das duplas mais importantes da música sertaneja raiz. Seu trabalho representa a união entre a viola, a cultura indígena e as histórias do interior, preservando uma identidade musical que continua emocionando gerações.

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