Nho Belarmino e Nha Gabriela
Lenda do Acervo

Nho Belarmino e Nha Gabriela

A História

Quando a gente fala da história da música sertaneja lá pelas bandas do Paraná, é impossível não tirar o chapéu para o casal que abriu as porteiras e se tornou a referência máxima do estado: Nhô Belarmino e Nhá Gabriela. Salvador Graciano e Júlia Alves Graciano não eram apenas uma dupla, eram o próprio retrato da autenticidade e daquela cultura caipira que a gente guarda com tanto carinho no peito. Durante toda a sua trajetória, que marcou profundamente a era de ouro do rádio paranaense, eles conquistaram o Brasil inteiro com uma mistura de humor fino, talento nato e um respeito imenso pelas raízes da nossa terra.

A história desse amor, que também se transformou em uma das parcerias mais bonitas da música, começou cedo. Eles se conheceram em 1937, lá na Rádio Clube Paranaense, e não demorou para que a vida entrelaçasse os destinos dos dois. Casaram-se em 1939 e, logo depois, decidiram que o palco seria o lugar onde continuariam a escrever a vida a dois. Foi nas ondas da Rádio Guairacá que eles fizeram história, mantendo programas de auditório que atraíam multidões por mais de duas décadas. Ali, no improviso e no calor do contato com o público, eles se tornaram gigantes, levando a vida do homem do campo para o rádio de cada família paranaense.

O talento deles precisava ficar registrado para a eternidade, e foi em 1953 que o Brasil pôde ouvir pela primeira vez em disco a voz desse casal que tanto admirávamos. A gravação, feita pela lendária RCA Victor, trazia faixas comemorativas ao Centenário da Emancipação do Paraná, um marco que eles celebraram com todo o orgulho de quem amava sua terra. Aquele foi apenas o começo de uma discografia que capturou a essência daquele tempo, mostrando que o sertanejo não era só entretenimento, era uma forma de preservar a memória e os costumes do nosso povo.

Mas, se a gente tem que falar do momento que elevou Nhô Belarmino e Nhá Gabriela ao patamar de lendas nacionais, a gente tem que mencionar o ano de 1959. Foi quando Nhô Belarmino compôs e a dupla gravou "As Mocinhas da Cidade", um xote que atravessou gerações e se tornou, sem dúvida alguma, um verdadeiro hino da música caipira paranaense. A canção é daquelas que todo mundo conhece, sendo regravada por nomes gigantes como Chitãozinho & Xororó, o que só prova a genialidade e o alcance que a música deles sempre teve. Quem escuta o xote até hoje sente o mesmo gostinho de nostalgia e alegria que o público sentia nos bailes de antigamente.

Mesmo com a partida de Salvador Graciano em 1984 e de Júlia Alves Graciano em 1996, o legado que eles deixaram continua mais vivo do que nunca. Eles não foram apenas pioneiros no Paraná; foram mestres que nos ensinaram a valorizar a nossa própria cultura, a rir das nossas próprias histórias e a celebrar a simplicidade com dignidade. Hoje, olhar para a obra de Nhô Belarmino e Nhá Gabriela é uma forma de honrar as nossas origens e lembrar que, por trás de toda grande história de sucesso na música sertaneja, existem corações como o deles, que dedicaram a vida inteira a cantar com verdade e paixão.

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Ajeitando a viola...

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