Rasqueado: A História, as Vertentes e a Força da Música de Fronteira
O termo rasqueado (ou rasgueado) batiza diferentes estilos musicais tanto no Brasil quanto no exterior. Com uma raiz longínqua que remete ao jeito espanhol de tocar violão, o ritmo ganhou vida própria em solo brasileiro, ramificando-se principalmente em duas grandes vertentes: o rasqueado sul-mato-grossense e o rasqueado cuiabano.
O Rasqueado Sul-Mato-Grossense
Esta vertente carrega claras influências dos ritmos de fronteira, dialogando diretamente com a guarânia, a polca paraguaia e o chamamé. Como todos esses estilos compartilham um andamento em compasso ternário, por vezes é até difícil traçar uma linha divisória exata entre eles.
Embora seja difícil cravar um único criador, registros indicam que foi o maestro Mário Zan quem lançou as primeiras bases para o gênero, seguido por composições pioneiras de Nhô Pai, antes mesmo da consagração da lendária dupla Délio e Delinha, grandes expoentes máximos do estilo.
Hoje em dia, muitas duplas acabam tocando o rasqueado sul-mato-grossense de forma espontânea, sendo comum que essas modas sejam carinhosamente chamadas apenas de chamamé ou música caipira tradicional.
O Rasqueado Cuiabano
Já o rasqueado cuiabano é um ritmo e uma dança regional marcante do Centro-Oeste, fincado com força na Região Metropolitana de Cuiabá e em cidades ribeirinhas da Bacia do Rio Paraguai, como Cáceres, Barra do Bugres e Corumbá.
A história de sua criação está profundamente ligada aos eventos da Guerra do Paraguai. Durante o conflito, prisioneiros paraguaios ficaram confinados na margem direita do Rio Cuiabá (na atual Várzea Grande). Da convivência desses prisioneiros com a população ribeirinha — e da mistura perfeita entre o violão paraguaio e a tradicional viola-de-cocho, somada à influência do siriri mato-grossense —, nasceu o rasqueado cuiabano.
Mais do que música, o rasqueado é um elo vivo que une fronteiras, histórias de resistência e a alegria contagiante da cultura popular do nosso Centro-Oeste.