Vou contar pra vocês do Zequinha. Pensa num moleque arteiro! O bicho não parava quieto um segundo. Parecia que tinha formiga na calça. Era estilingue no bolso, pé descalço na terra e o juízo… ah, o juízo ele deixava em casa. Era o terror das galinhas e o desespero das vidraças.
A vó dele, Dona Cida, sempre avisava miudinho: — Zequinha, sossega o facho! Quem muito procura, uma hora acha, menino!
Mas sabe como é moleque, né? Só escutava o que convinha. Entrava por um ouvido e saía pelo outro.
Um dia, Zequinha encasquetou que ia pegar a maior manga que tinha lá no alto do pé, no quintal do Nhô Bastião. O detalhe é que o Nhô Bastião tinha um cachorro bravo, o Trovão. E pior: bem no alto daquela mangueira, tinha um cacho de marimbondo-tatu escondido nas folhas.
O menino pulou a cerca sorrateiro, miudinho que nem onça. Escapou do Trovão de fininho e começou a subir na árvore. Galho por galho. Chegou lá no alto, viu a manga. Amarelinha, graúda. Ele esticou o braço curtinho… e, no que se apoiou num galho seco pra alcançar, escutou aquele barulho: crac!
O galho quebrou. E adivinha onde foi parar? Em cima da casa dos marimbondos.
Minha nossa Senhora… subiu um zumbido que parecia motor de trator velho. O Zequinha não desceu da árvore, ele simplesmente despencou! Saiu correndo pelo pasto, berrando, com aquela nuvem preta atrás dele. O cachorro Trovão acordou com o griteiro, não entendeu nada e saiu correndo atrás dos marimbondos também. Foi uma confusão que só vendo!
Zequinha só se salvou porque pulou de ponta-cabeça no tanque de lavar roupa da Dona Cida. Ficou lá dentro, só com o nariz pra fora da água, até a poeira baixar e os bichos irem embora. À noite, tava com o rosto que era um calombo só.
Dona Cida, com aquela paciência de vó, foi passar pomada no neto. Ela balançou a cabeça e disse uma coisa que serve pra todos nós:
— A gente que é mais velho avisa, não é pra cortar a diversão da molecada. A gente avisa porque já apanhou da vida.
E é verdade, meus amigos. A desobediência é um atalho que quase sempre acaba num caminho cheio de espinhos… ou, no caso do Zequinha, cheio de marimbondos. Escutar o conselho de quem tem mais experiência não é fraqueza, é inteligência. O conselho dos mais velhos é o mapa pra gente não cair no buraco.



