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Causos

Causo: O Puxador de Milho

outubro 2, 2026
Acervo Caipira

Sabe, tem coisa na vida que não adianta a gente querer empurrar. É como o cumpadre Zé Pedro costumava dizer lá nas bandas do ribeirão. Vou te contar um causo que ele vivia repetindo pra quem andava com a cabeça muito quente.

O Zé Pedro tinha um vizinho, o Tonho. Pensa num sujeito apressado! O Tonho queria que o dia tivesse trinta horas e que a semente brotasse só no grito.

Pois bem. Uma vez, os dois plantaram uma roça de milho na mesma semana. A terra era boa, choveu no tempo certinho. Tudo nos trinques. Só que o Tonho não tinha paciência. Todo santo dia ele ia lá na roça, batia o pé, resmungava. Quando os primeiros brotinhos verdes rasgaram a terra, o homem ficou agoniado. Achou que a natureza tava devagar demais da conta.

Acredita no que o abençoado fez?

Ele foi de pé em pé e começou a puxar os brotinhos de leve pra cima. Um por um. Achando que ia dar uma “ajudinha” pro milho crescer mais rápido.

De tardezinha, encontrou o Zé Pedro na cerca e soltou, todo orgulhoso: “Ô Zé, amanhã minha roça vai tá o dobro da sua! Dei uma esticadinha neles hoje, dei uma mãozinha pra natureza.”

O Zé Pedro só balançou a cabeça. Tirou o chapéu de palha, coçou a nuca, deu um suspiro e não disse nada.

No dia seguinte, o Tonho chegou na roça e quase caiu pra trás. Tava tudo murcho. Seco. As raízes não aguentaram o puxão e se soltaram da terra. A roça do Zé Pedro, que ele nem tinha relado a mão, continuava lá. Firme. Crescendo devagarinho, bebendo o orvalho, no tempo dela.

A Lição: A vida da gente é igualzinha a essa roça. Tem coisa que precisa de tempo pra criar raiz firme no chão. Se a gente tenta apressar, se tenta puxar o broto antes da hora por pura ansiedade, acaba matando o que ia ser bom. Paciência não é perder tempo… é respeitar o tempo das coisas.

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