{"id":31,"date":"2026-07-27T10:04:24","date_gmt":"2026-07-27T13:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/?p=31"},"modified":"2026-07-27T10:04:25","modified_gmt":"2026-07-27T13:04:25","slug":"a-vinganca-do-coveiro-sem-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/a-vinganca-do-coveiro-sem-nome\/","title":{"rendered":"A Vingan\u00e7a do Coveiro sem Nome"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas de <strong>Itapetininga<\/strong> \u2014 e quem conhece a regi\u00e3o sabe que ali o mato fala \u2014 que existe uma cova rasa no fim do cemit\u00e9rio velho que nunca foi batizada com cruz. Contam os antigos que, h\u00e1 mais de cem anos, um coveiro forasteiro chegou para trabalhar, mas ele n\u00e3o tinha nome, n\u00e3o tinha parentes e, pior, n\u00e3o tinha alma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele vivia enterrado no servi\u00e7o, cavando de sol a sol com um vigor que assustava os vivos e os mortos. O problema come\u00e7ou quando o forasteiro passou a enterrar gente que nem sequer tinha morrido ainda. O povo via as luzes da lanterna dele dan\u00e7ando entre os jazigos durante a madrugada e, no dia seguinte, ouvia o som seco da enxada batendo na terra dura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Certa noite, o filho mais novo do fazendeiro mais rico da regi\u00e3o desapareceu. A busca durou tr\u00eas dias, mas n\u00e3o encontraram nem o rastro do rapaz. O pai, desesperado, montou guarda na entrada do cemit\u00e9rio. Quando o rel\u00f3gio da igrejinha badalou meia-noite, ele viu o forasteiro saindo de dentro da capela, carregando um saco pesado que se contorcia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fazendeiro, cego de \u00f3dio e medo, avan\u00e7ou com a espingarda em punho. &#8220;O que tem a\u00ed, desgra\u00e7ado?&#8221;, berrou ele. O coveiro parou, virou-se devagar, e o que o fazendeiro viu n\u00e3o foi um rosto de homem. A pele era cinzenta como cinza de fog\u00e3o, e os olhos, dois buracos fundos que pareciam sugar a pr\u00f3pria luz da lanterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dizem que o fazendeiro n\u00e3o atirou. Ele ficou paralisado enquanto o forasteiro jogava o saco na cova aberta e come\u00e7ava a cobrir o buraco com uma velocidade sobrenatural. Quando a terra terminou de cobrir o \u00faltimo peda\u00e7o de tecido, o coveiro olhou nos olhos do fazendeiro e, com uma voz que parecia vir de dentro da pr\u00f3pria cova, sussurrou: &#8220;O pr\u00f3ximo \u00e9 voc\u00ea&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fazendeiro fugiu dali, abandonando tudo. Ningu\u00e9m nunca mais viu o rapaz, e nem o forasteiro. Mas, em noites de lua cheia, quem passa pelo muro do cemit\u00e9rio jura que ouve o som de algu\u00e9m cavando&#8230; e uma voz que chama pelo nome da pessoa, convidando-a para a cova que, por capricho do destino, nunca fica vazia por muito tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem as m\u00e1s l\u00ednguas de Itapetininga \u2014 e quem conhece a regi\u00e3o sabe que ali o mato fala \u2014 que existe uma cova rasa no [continua&#8230;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-31","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-causos"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Gemini_Generated_Image_ws270vws270vws27-scaled.png?fit=2560%2C1396&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":33,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31\/revisions\/33"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acervocaipira.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}